7 Maio > 4 Junho

Maria Luísa Abreu

Torf Toe

Curadoria: Samuel Silva
 
 

“Acid, Adhesives, Ballistics, Canvas, Clay, Combustion, Compression, Concrete,
Corrosion, Cybernetics, Drop, Elasticity, Electricity, Electrolysis, Electronics, Explosives,
Feedback, Glass, Heat, Human energy, Ice, Jet, Light, Load, Mass-production, Metal,
Motion picture, Natural forces, Nuclear energy, Paint, Paper, Photography, Plaster,
Plastics, Pressure, Radiation, Sand, Solar energy, Sound, Steam, Stress, Terra-cotta,
Vibration, Water, Welding, Wire, Wood.”
Gustav Metzger, “Manifesto Auto-Destructive Art” (London, March 1960), in Metzger at AA (London:
Destruction/Creation, 1965).

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Como bichos quando se levanta uma pedra
Ciclo de três exposições

Recentemente numa releitura de um livro deixei-me preocupar por esta ideia: existe uma
cosmicidade de enunciados que por forças, provavelmente explicáveis, nunca chegam a ser parte
integrante da história, das grandes narrativas, esvaziando-se no seu sentido por não se
constituírem enquanto conhecimento.
Discursos que tendem ao anonimato ocupando interstícios entre os grandes monumentos
discursivos, rumores submersos que nunca chegam à tona, enunciados que se apagam
desprovidos de visibilidade. Podemos dizer, com os pés insatisfeitos no chão, que existe uma
espécie de história paralela por fazer, uma história dos sucessos fugidios, dos autores
inconfessáveis, da palavra calada, das narrativas incertas (certamente) de fronteiras mal
desenhadas, sem orientação precisa ou fixa. Tal livro foi escrito por Michel Foucault que o intitulou
“Arqueologia do saber”.
Quando o João Baeta me convidou para organizar um ciclo de três momentos expositivos que
englobariam dois espaços (Espaço Ilimitado e Quarto Escuro) fiquei como que encostado à parede,
nunca tinha sido responsável pela programação de um espaço, nunca almejei ser comissário nem
curador nem nenhuma dessas coisas. Mas, enquanto artista, sempre me interessou ver e aprender
com o trabalho dos outros, sempre fui curioso por aquilo que vai inquietando os meus pares.
Impulsionado por esta honesta curiosidade, decidi assumir a responsabilidade com um único
objectivo: convidar artistas que embora tivessem (após as salas de aula) imigrado forçosamente
para lugares menos visíveis, continuavam apaixonadamente a bulir, quase por necessidade
visceral, mantendo um rumor lateral que me espicaçava a curiosidade.
Bruno Rajão, Rita Medinas Faustino, Rodrigo Neto, Hugo Pinho, Luísa Abreu e Ruca aceitaram
amigavelmente o desafio.
Agradeço-lhes a dádiva.

Samuel J. M. Silva
Porto, 20 Janeiro de 2011
 
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Maria Luísa Abreu

Nasceu em Amarante, em 1988. Estuda e vive no Porto, frequentando o curso de Artes Plásticas –
Multimédia na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. Desde 2007 vem
desenvolvendo projectos colectivos e individuais e expondo o seu trabalho regularmente em
espaços alternativos em Portugal e Espanha. Actualmente frequenta o seu último ano de
licenciatura na Hochschule für Bildende Künste Dresden, Alemanha.
Exposições
2011 Galeria Painel, Instituto da Saúde Pública da Universidade do Porto, Porto
2010 “Standard for the Installation of Private Fire Service Mains and their Appurtenances”, exposição
Close-up, Edifício RDP, Porto
2010 “Uma Partida de Bilhar”, Lugar do Desenho, Gondomar
2010 “Percurso de Partículas”; “Formação de Cor Branca” e ” Sem título”, Espaço Maus Hábitos, Porto
2010 “macro saliva”, Mostra da Universidade do Porto, Palácio de Cristal, Porto
2010 “Cadernos de Artista”, na biblioteca da Faculdade de Belas Artes do Porto
2009 Participação na XV Bienal de Cerveira, com o projecto “utopia” stand Miraxes s.a.
2009 Colaboração com os Bombeiros Voluntários de Valença para uma exposição nas suas instalações
(quartel, museu, casa-escola).
2009 Serralves em Festa 2009 com Casting “a anunciação”, produção Miraxes s.a.
2008 integração num projecto transfronteiriço (Norte de Portugal e Galiza) de novos artistas, com uma
primeira exposição em Tui (Espanha).
2008 Fundação da Miraxes s.a., sociedade de artistas, com primeira intervenção na Ala Panorâmica de Tui
(Espanha).


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