19 Fevereiro > 5 Março

Hugo de Almeida Pinho | André Fonseca

To Be In Visible

 

Curadoria: Samuel Silva

A luz, ilumina, no instante, o que nos envolve. Ainda assim só parte dessa realidade é
percepcionada. Parte da realidade total, da existência total.
Os corpos e a luz, a parte e o todo, o fluxo e o instante. A violência do disparo, que ao
cortar o tempo, traz um exemplar, ou não soubesse-mos que as imagens são na mente
umas atrás das outras. Um acto que nos lança em direcção ao imaginário. Que despoleta
uma e outra imagem para além da que nos fica.
O som desvenda as subtilezas da técnica, da relação do operator com a câmara e com os
objectos fotografados.
A dissolução da luz exige o reposicionamento de todos os intervenientes. Cria o
nivelamento que confere a possibilidade de nos transportar, de nos fazer viajar

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Esta exposição vem no seguimento de uma série de trabalhos, com base em reflexões em
torno da fotografia. Além universo fotográfico, os trabalhos desta parceria, procuram
sempre um pensamento que se dirige à possibilidade da arte experimentar e oferecer
vários pontos de vista axiológicos para a relação do Homem com o Mundo, e de se
perscrutar novas consciências e percepções que possam apresentar-se como alternativas
na sua (re)construção.

Como bichos quando se levanta uma pedra
CICLO DE TRÊS EXPOSIÇÕES

Recentemente numa releitura de um livro deixei-me preocupar por esta ideia: existe uma
cosmicidade de enunciados que por forças, provavelmente explicáveis, nunca chegam a ser parte
integrante da história, das grandes narrativas, esvaziando-se no seu sentido por não se
constituírem enquanto conhecimento.
Discursos que tendem ao anonimato ocupando interstícios entre os grandes monumentos
discursivos, rumores submersos que nunca chegam à tona, enunciados que se apagam
desprovidos de visibilidade. Podemos dizer, com os pés insatisfeitos no chão, que existe uma
espécie de história paralela por fazer, uma história dos sucessos fugidios, dos autores
inconfessáveis, da palavra calada, das narrativas incertas (certamente) de fronteiras mal
desenhadas, sem orientação precisa ou fixa. Tal livro foi escrito por Michel Foucault que o intitulou
“Arqueologia do saber”.
Quando o João Baeta me convidou para organizar um ciclo de três momentos expositivos que
englobariam dois espaços (Espaço Ilimitado e Quarto Escuro) fiquei como que encostado à parede,
nunca tinha sido responsável pela programação de um espaço, nunca almejei ser comissário nem
curador nem nenhuma dessas coisas. Mas, enquanto artista, sempre me interessou ver e aprender
com o trabalho dos outros, sempre fui curioso por aquilo que vai inquietando os meus pares.
Impulsionado por esta honesta curiosidade, decidi assumir a responsabilidade com um único
objectivo: convidar artistas que embora tivessem (após as salas de aula) imigrado forçosamente
para lugares menos visíveis, continuavam apaixonadamente a bulir, quase por necessidade
visceral, mantendo um rumor lateral que me espicaçava a curiosidade.
Bruno Rajão, Rita Medinas Faustino, Rodrigo Neto, Hugo Pinho, Luísa Abreu e Ruca aceitaram
amigavelmente o desafio.
Agradeço-lhes a dádiva.

Samuel J. M. Silva
Porto, 20 Janeiro de 2011

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