23 Janeiro > 20 Fevereiro

Tiago P. Dias

Untitled Metal

Foto-instalação

Recentemente temos assistido a um acréscimo da fotografia em ligação com outros médiuns. E quando hoje falamos de fotografia, já não pensamos nela como uma linguagem estritamente ligada a um meio na qual os sais de prata recebiam o embate de um fotão. Hoje, falar de fotografia é perceber que a sua linguagem é um médium híbrido, zeros “0” e uns “1” são um apanágio disso mesmo. A questão que se coloca hoje à fotografia é: Quais são as suas fronteiras? Colocando a questão noutros termos: Onde está a fronteira que define o que é fotografia? A resposta seria, a fronteira simplesmente não existe. Porque, desde que estejamos frente a uma obra em que a sua presença nos expresse conceitos fotográficos, a fronteira rompe-se.
A Foto-Instalação do Tiago (Untitled Metal) rompe a fronteira, é evidente a fusão de mais que uma disciplina artística. A escultura bem como o cinema fundem-se com a fotografia para nos relativizar conceitos do cerne fotográfico. Mostrando-nos que a fotografia está para além de uma imagem emoldurada e suspensa na parede de uma galeria. Frente à obra Untitled Metal, esta remete-nos directamente para o médium fotográfico, a concepção da obra faz-nos repensar questões intrínsecas ao médium. Leva-nos a formular questões do foro da fotografia. Desde a importância da Luz, fundamental para a sua concretização, passando pela problemática do corte/cisão, até ao tempo de visualização e de concepção da imagem fotográfica.
Desde o inicio da história da fotografia, que a imagem fotográfica está estritamente ligada a um conceito material, o negativo e o positivo. Mas desde o aparecimento do digital, esta forma de pensar a fotografia foi completamente alterada. A digitalização fotográfica mudou por completo esta forma de a pensar. A fronteira foi expandida, falar de fotografia hoje em dia é ter em conta a sua forma híbrida, é ter em conta que os fotógrafos podem combinar o seu trabalho com, pintura, vídeo arte, escultura ou instalação. A obra do Tiago é fruto disso mesmo, a sua contemporaneidade assenta em usar o médium instalação para nos falar de fotografia.
Uma das definições de Instalação é ela proporcionar ao espectador diferentes pontos de vista, permitir-lhe mover-se fisicamente no espaço, deixá-lo escolher o seu tempo para apreciar a obra, é a criação de uma experiência física e ao mesmo tempo mental. Uma instalação fotográfica tende a reunir estas formas, para nos comunicar conceitos do foro fotográfico. Literalmente, o que a obra do Tiago nos diz é: Que estamos frente a uma obra fotográfica, que usa todos os médiuns ao seu dispor para nos falar de conceitos fotográficos.

João Lima


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